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SAO PAULO,24/06/2026

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Semae atinge marca de 100 km de redes de esgoto limpas, mas faz apelo contra descarte de lixo

Mutirões preventivos reduziram queixas de vazamento em 8%; autarquia adverte que ligações de calhas e descarte de fraldas e óleo provocam retorno de dejetos para dentro dos imóveis


Semae atinge marca de 100 km de redes de esgoto limpas, mas faz apelo contra descarte de lixo

O Serviço Municipal de Águas e Esgotos (Semae) de Mogi das Cruzes realizou, entre janeiro e maio deste ano, a desobstrução e a limpeza preventiva de 100 quilômetros de redes de esgotamento sanitário. O balanço mantém o ritmo operacional do ano passado, quando a autarquia alcançou 245 quilômetros de tubulações vistoriadas — volume que superou em 16,7% os indicadores do período anterior.

A manutenção contínua reflete na estabilidade do sistema biológico e estrutural da cidade. Segundo o chefe da Divisão de Manutenção de Redes de Esgoto, Rafael Regueiro, o município mantém uma média fixa de 20 quilômetros de raspagem e jateamento por mês. O principal indicador de sucesso do programa, conforme destaca o técnico, foi a redução de 8% no volume de ordens de serviço abertas por moradores reclamando de refluxos ou vazamentos de efluentes nas vias públicas.


Gargalo do lixo sólido

Para sustentar a eficiência da malha de saneamento, contudo, a engenharia do Semae reforça o alerta sobre o mau uso crônico dos ramais domésticos. Nas operações rotineiras, onde são utilizados caminhões combinados equipados com bombas de alta pressão e vácuo, os servidores retiram das tubulações grandes volumes de detritos que jamais poderiam ser descartados em vasos sanitários ou pias. Entre os materiais mais recorrentes estão fraldas descartáveis, lenços umedecidos, preservativos, pedaços de estopa e blocos compactos de gordura alimentar solidificada.

O descarte irregular obstrui a passagem e sobrecarrega os cestos de gradeamento e as estações elevatórias de bombeamento. Além do mau cheiro, os bloqueios rompem manilhas e causam erosões no subsolo, obrigando a autarquia a paralisar o trânsito para obras emergenciais e a desviar equipes que poderiam atuar na expansão da rede para conter prejuízos operacionais.


Irregularidades na água pluvial

Outro ponto crítico combatido pelo Departamento de Operações é a interligação clandestina de águas de chuva na rede coletora de esgoto. Tubulações conectadas a calhas residenciais, telhados e ralos de quintal devem ser direcionadas exclusivamente para as sarjetas, de onde seguem para as bocas de lobo, galerias pluviais e corpos hídricos.

Em dias de temporais, essas ligações incorretas sobrecarregam os canos de esgoto com terra e detritos, fazendo com que o volume de vazão ultrapasse o limite técnico projetado. O fenômeno provoca o rompimento de tampões de ferro em avenidas e gera o retorno de dejetos para o interior das residências. "As vedações e limpezas que fazemos são paliativos se a população não revisar o escoamento de suas calhas e cessar o descarte de lixo doméstico no vaso", concluiu o diretor-geral do Semae, José Luiz Furtado.


 Foto:  Caminhões de hidrojateamento sob pressão limpam galerias subterrâneas para garantir o escoamento contínuo do saneamento em Mogi. (Foto: Divulgação)




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