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SAO PAULO,02/11/2026

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Um em cada cinco brasileiros dorme menos de seis horas por noite, revelam dados do Ministério da Saúde

Pesquisa aponta que 31,7% da população sofre com sintomas de insônia; médicos alertam para o aumento nos riscos de hipertensão, AVC e problemas de memória


Um em cada cinco brasileiros dorme menos de seis horas por noite, revelam dados do Ministério da Saúde

Dormir bem deixou de ser apenas uma questão de disposição para o dia seguinte. O sono é um dos pilares da saúde e está diretamente relacionado ao funcionamento do coração, do cérebro, do sistema imunológico e do metabolismo. No Brasil, porém, uma parcela significativa da população ainda dorme menos do que o necessário. Dados do Vigitel 2025, do Ministério da Saúde, mostram que 20,2% dos adultos residentes nas capitais brasileiras dormem menos de seis horas por noite. 

O levantamento também revela que 31,7% dos moradores das capitais apresentam pelo menos um sintoma de insônia. Entre as mulheres o destaque é maior, 21,3% delas afirmaram dormir menos de seis horas por noite, contra 18,9% dos homens e pessoas com 65 anos ou mais, a prevalência chega a 23,1%. 

O médico e professor de Medicina do Sono na Afya Educação Médica Belo Horizonte, Dr Marcelo Andrade Starling, comenta que esses números mostram que o sono precisa ser tratado como uma prioridade para a saúde individual e pública. Dormir pouco prejudica a atenção, a memória, a tomada de decisões e o equilíbrio emocional, podendo causar irritabilidade, dificuldade de concentração, queda no rendimento e maior risco de acidentes. 

“Quando a privação de sono se torna frequente, também está associada a maior risco de hipertensão, obesidade, diabetes, doenças cardiovasculares e cerebrovasculares, além de ansiedade e depressão. Não há uma fronteira exata entre hábito e risco. Uma única noite mal dormida já pode comprometer a segurança ao dirigir, mas a preocupação aumenta quando dormir menos do que o necessário vira rotina. Para a maioria dos adultos, dormir habitualmente menos de sete horas merece atenção, sobretudo abaixo de seis horas. Além disso, não é preciso esperar o cansaço se intensificar para agir, pois a pessoa pode se acostumar à sensação de sono insuficiente sem recuperar seu desempenho”.

Os sintomas de insônia seguem tendência semelhante, atingindo 36,2% das mulheres e 26,2% dos homens. O médico destaca que, para a maioria dos adultos, a recomendação é dormir entre sete e nove horas por noite. No entanto, a quantidade de horas não é o único fator a considerar. Acordar frequentemente sem se sentir descansado, apresentar sonolência durante o dia, dificuldade de concentração ou problemas recorrentes para adormecer e manter o sono são sinais de alerta. O ronco alto, as pausas na respiração percebidas por outra pessoa e os despertares acompanhados de engasgos também merecem atenção e devem ser investigados, pois podem indicar apneia do sono.

“O sono é um processo neurobiológico essencial para a saúde. Durante esse período, o cérebro consolida memórias e processa informações, enquanto o corpo realiza processos de reparação, regulação hormonal, controle do metabolismo e defesa imunológica. Para melhorar a qualidade do sono, é fundamental manter uma rotina, com horários regulares, exposição à luz natural durante o dia, atividade física e um quarto escuro, silencioso e confortável. À noite, vale reduzir a luz e o uso de telas, reservar um tempo para desacelerar e evitar cafeína antes de dormir”, complementa o docente da Afya.


Benefícios para a saúde cardiovascular 

Um estudo apresentado no Congresso da Sociedade Europeia de Cardiologia (ESC Congress 2024) analisou 90.903 participantes do UK Biobank e investigou a chamada compensação do sono nos fins de semana. Ao longo de 14 anos de acompanhamento, às pessoas que mais compensavam o sono perdido durante a semana apresentaram risco 20% menor de desenvolver doença cardíaca em comparação com aquelas que não praticavam o método. 

O médico cardiologista e professor da Afya Ipatinga, Dr. Norberto de Sá Neto, explica que a privação de sono e os episódios de redução da oxigenação do sangue, chamados de hipoxemia, podem aumentar o risco cardiovascular, favorecendo problemas como hipertensão, acidente vascular cerebral (AVC) e infarto.

“Entre os fatores associados à apneia do sono, a hipóxia (redução da disponibilidade de oxigênio nos tecidos) é um indicador importante do risco cardiovascular. Sua intensidade, associada à presença de outras doenças cardiovasculares, pode influenciar o risco de desenvolver ou agravar essas condições”.

Dr Norberto Neto ressalta que o risco também aumenta conforme se acumulam fatores como obesidade, diabetes, sedentarismo, hipertensão e outras doenças cardiovasculares. “Por isso, o cuidado não deve se limitar ao sono, é fundamental adotar uma abordagem cardiovascular global, controlando os fatores de risco, tratando a obesidade e a hipertensão, melhorando a qualidade do sono e reduzindo o peso. Tudo isso está relacionado à qualidade do sono e à redução do risco cardiovascular”, conclui. 


Foto: Privação frequente de descanso eleva riscos cardiovasculares e prejuízos de memória, alertam médicos. Divulgação/ Magnific




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