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SAO PAULO,09/07/2026

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Estudo de Mogi aponta mais de mil pacientes graves nas UPAs aguardando vaga em hospital

Estudo técnico da Secretaria de Saúde expõe retenção de pacientes graves em UPAs por mais de 12 horas; órgãos reguladores regionais emitiram parecer favorável à expansão


Estudo de Mogi aponta mais de mil pacientes graves nas UPAs aguardando vaga em hospital

A Prefeitura de Mogi das Cruzes aguarda uma deliberação oficial por parte da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo referente ao pedido formal de expansão da capacidade instalada do Hospital das Clínicas Luzia de Pinho Melo. O município protocolou um denso diagnóstico estrutural solicitando a abertura de 30 novos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), sendo 20 voltados ao atendimento de pacientes adultos e 10 destinados à ala de UTI pediátrica. A unidade hospitalar, gerida pela administração estadual, atua como o principal polo de referência para casos de alta complexidade em Mogi e nos demais municípios da Região do Alto Tietê.


O pleito administrativo, elaborado pela Secretaria Municipal de Saúde e Bem-Estar, recebeu parecer técnico favorável emitido pelas direções do Departamento Regional de Saúde (DRS I) e da Coordenadoria de Regiões de Saúde (CRS). Os órgãos de fiscalização do próprio Estado chancelaram o entendimento da municipalidade de que o volume atual de leitos intensivos encontra-se subdimensionado frente ao adensamento demográfico e ao perfil epidemiológico regional, gerando risco iminente de colapso nos gargalos de transferência.


Indicadores expõem retenção nas UPAs

Os indicadores assistenciais que balizam o documento técnico detalham um cenário de sobrecarga crônica nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) de Mogi das Cruzes. No primeiro quadrimestre do período de amostragem, as UPAs locais processaram 217.109 atendimentos médicos. Deste universo, 1.007 ocorrências envolveram pacientes em estado crítico com indicação imediata de suporte ventilatório e monitoramento intensivo em ambiente de UTI. Devido à indisponibilidade de vagas na rede hospitalar, 3.509 pacientes permaneceram retidos em observação prolongada nas UPAs, registrando um tempo médio de espera de 12 horas e 54 minutos antes da liberação do leito hospitalar.

O levantamento estatístico tabulou ainda 1.778 requisições de transferência enviadas via sistema de regulação de vagas. Desse total, 683 solicitações foram enquadradas sob o dispositivo jurídico-sanitário de "vaga zero" — expediente extremo acionado pelo corpo médico para forçar a absorção imediata de pacientes sob risco iminente de morte em hospitais de retaguarda, mesmo sem a existência física de vagas ociosas. Atualmente, o Hospital Luzia de Pinho Melo absorve sozinho 58,33% de toda a demanda de transferências pactuada no Alto Tietê, operando constantemente acima do limite técnico de sua engenharia clínica.


Responsabilidade federativa e governança

Em pronunciamento sobre o andamento do processo, a prefeita Mara Bertaiolli ressaltou o cumprimento das metas orçamentárias na esfera municipal, mas demarcou as competências de cada ente federativo. "A saúde é gerida de forma tripartite, e Mogi tem aportado recursos volumosos na Atenção Primária, na reestruturação física das UBSs e no suporte de urgência de pronto atendimento. Contudo, a engenharia de alta complexidade e o financiamento de leitos de terapia intensiva hospitalar competem constitucionalmente ao Estado. O Alto Tietê necessita desse aval técnico para descentralizar o fluxo e resguardar a vida de pacientes em situação limítrofe", pontuou a chefe do Executivo.

O vice-prefeito Téo Cusatis complementou a tese, apontando o desvio de finalidade operacional gerado pela falta de vagas de retaguarda. "A infraestrutura de uma UPA foi projetada para estabilização rápida e escoamento do paciente, e não para funcionar como ala de internação prolongada. Estamos dialogando tecnicamente com as coordenadorias da capital para que a viabilidade do Luzia receba o caráter de urgência que os números impõem", concluiu. O processo administrativo contendo os dados de impacto financeiro, recursos humanos e insumos para as novas UTIs tramita atualmente sob análise das juntas orçamentárias da Secretaria de Estado da Saúde.



📊 A Crise da Alta Complexidade em Números:

Vagas de UTI solicitadas por Mogi: 20 Adulto e 10 Pediátricas.

Atendimentos nas UPAs de Mogi (Quadrimestre): 217.109 ocorrências.

Casos graves retidos nas UPAs: 1.007 pacientes necessitando de suporte intensivo.

Tempo médio de espera por vaga hospitalar: 12 horas e 54 minutos nas salas de triagem.

Chamados de "Vaga Zero" (Risco de Morte): 683 notificações.

Taxa de absorção regional do Hospital Luzia: 58,33% de toda a demanda do Alto Tietê.


Foto:  Complexo do Hospital Luzia de Pinho Melo, no Mogilar, concentra mais de metade de todas as transferências de urgência da região e aguarda ampliação de alas. (Foto: Arquivo/Acontece Regional)




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