Empresas com alta rotatividade de funcionários têm o dobro de inadimplência, revela Serasa Experian
Estudo inédito com 1 milhão de CNPJs mostra que a permanência de colaboradores pode ser um indicador complementar na avaliação de risco e crédito corporativo
Empresas que enfrentam maior rotatividade de funcionários apresentam um percentual de inadimplência duas vezes maior do que aquelas com quadros profissionais mais estáveis. É o que revela um estudo inédito realizado pela Serasa Experian a partir de uma amostragem de cerca de 1 milhão de CNPJs em todo o país.
De acordo com o levantamento, entre as empresas classificadas na menor faixa de turnover (fluxo de entradas e saídas), 19% encontram-se inadimplentes. Já no grupo de maior rotatividade, o indicador atinge 38%, registrando uma diferença de 19 pontos percentuais.
A pesquisa utilizou dois novos indicadores de dinâmica trabalhista desenvolvidos pela datatech: o turnover e o tempo médio de permanência dos colaboradores. Os dados revelam que nas companhias em que os funcionários permanecem, em média, de três a seis meses, a inadimplência alcança 44%. O índice recua gradativamente conforme o tempo de casa aumenta, atingindo 16% entre os negócios cujo tempo médio de permanência supera dez anos (120 meses) — uma variação de 28 pontos percentuais.
O estudo também relacionou a rotatividade à longevidade empresarial (probabilidade de encerramento das atividades em até 12 meses). Entre as empresas de alto turnover, 41% apresentam risco elevado de fechar as portas, contra 26% das companhias com menor rotatividade.
Diferenciação no Score PJ
A inclusão dos dados trabalhistas permite diferenciar o risco inclusive entre empresas que possuem a mesma faixa de pontuação no Score PJ. Na faixa de 332 a 455 pontos, por exemplo, a média geral de inadimplência é de 43,7%. No entanto, o índice salta para 54,9% nas empresas com permanência de funcionários inferior a três meses e cai para 18,3% naquelas com permanência superior a 120 meses.
A diretora de Serviços de Crédito da Serasa Experian, Viviane Moura, pontua que os dados não estabelecem uma relação direta de causa e efeito, mas agregam valor ao diagnóstico financeiro. "Um turnover elevado combinado a um menor tempo de permanência pode indicar desafios operacionais, dificuldades de retenção e perda de conhecimento interno. Ao combinar esses sinais com as informações tradicionais de crédito, ampliamos a capacidade de avaliação de risco", ressalta a executiva.
📌 Balanço Operacional – Estudo Serasa Experian sobre Turnover e Inadimplência:
Fonte / Metodologia: Serasa Experian (Amostra de 1 milhão de CNPJs).
Indicadores Analisados: Turnover (rotatividade), tempo médio de permanência, Score PJ e longevidade empresarial.
Inadimplência por Turnover:
Menor rotatividade: 19% de inadimplentes.
Maior rotatividade: 38% de inadimplentes.
Inadimplência por Tempo de Permanência:
De 3 a 6 meses de casa: 44% de inadimplência.
De 36 a 60 meses: 20% de inadimplência.
Acima de 120 meses (10 anos): 16% de inadimplência.
Risco de Fechamento (Baixa Longevidade):
Empresas com alto turnover: 41% de risco.
Empresas com baixo turnover: 26% de risco.
Foto: Estudo da Serasa Experian aponta que empresas com maior retenção de talentos e estabilidade na equipe apresentam menores índices de inadimplência e menor risco financeiro. (Foto: Divulgação/Serasa Experian)






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